Do espaço

fevereiro 17, 2009 at 2:59 pm 4 comentários

vista do espaço

vista do espaço

Assim que pude, fechei os olhos e observei com cuidado a minha respiração. Tive a chance de perder (ou ganhar) alguns minutos e não exitei. O ar entrando em minhas narinas, chegando até os pulmões e o oxigênio sendo absorvido. Enfim… como aqueles exercícios de meditação que a gente escuta por aí. Usei o meu pensamento para flutuar a um metro de meu prórpio corpo. Me vi parado diante da tela do computador com os olhos fechados. Resolvi flutuar para um pouco mais longe, até atravessar as paredes do edifício onde trabalho, no 12º andar.

Subindo calmamente, comecei a olhar curioso para dentro das janelas dos andares superiores e observar as pessoas nas suas mesas, com suas fisionomias tensas, suas pernas inquietas, suas posturas desleixadas. A minha respiração ainda estava sendo plenamente observada por mim. Continuei subindo calmamente numa velocidade que não podia medir. Quando percebi, estava sobre algumas nuvens e a temperatura já era baixa. Quase podia ver os limites da minha cidade. Contunuei para cima e nesse momento, a gravidade que ainda se fazia sentir pareceu se inverter. Estava sendo puxado ou caindo para cima. Podia ver o continente inteiro banhado timidamente pelo pouco que sobrava da luz do sol. A atmosfera não se fazia presente, mas eu ainda podia sentir a respiração do meu corpo parado em frente ao computador.

Sem aviso estacionei em um ponto de onde podia ver toda a esfera planetária. Fiquei parado ali, sem peso, admirando o planeta silencioso, girando calmamente. Resolvi então olhar para o lado e uma grande surpresa se revelou. Algumas centenas de pessoas estavam flutuando perto de mim. Todas olhando para o planeta, com aquela cara de êxtase, como se estivessem se desprendido das coisas materiais, absorvendo-se em contemplação. E estavam mesmo flutuando no espaço. Assim como eu. Algumas delas perceberam que não estavam sozinhas. Outras não tiravam os olhos do azul que coloria o globo.

Eu sabia que bastava um piscar de olhos para que eu voltasse até minha mesa de trabalho. Pois eu estava pensando. Só pensando. Sem me concentrar em nada. Não era um pensamento frágil. Não era um transe. Não era meditação. Era apenas um pensamento. E eu podia ver os pensamentos daquelas outras centenas de pessoas. E elas podiam ver meu pensamento. Algumas delas sumiam do nada. Então pisquei meus olhos, e com certeza eu também sumi do nada.

Na mesma noite, na cama, resolvi fazer o mesmo circuito. Mas desta vez, peguei meu cachorro Oscar no colo e levei ele comigo. Mostrei pra ele a mais linda visão que existe. E nós dois dormimos entre as estrelas. Na manhã seguinte, Oscar que sempre é acordado por mim, pulou na cama e começou a lamber meu rosto. Senti que ele estava me agradecendo. Pra ser sincero, eu tive certeza que ele estava agradecendo. Desde então, sempre levo quem eu gosto para um passeio pelo espaço. E de alguma forma o universo me agradece por eu mostrar para outros seres, o quanto ele é grande e maravilhoso.

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RuGUI

4 Comentários Add your own

  • 1. leticia  |  junho 30, 2009 às 6:12 pm

    lindo … lindo… lindo…
    as vezes tambem me pego meia desprevinida e apenas as estrelas me fazem descançar e me acalmam todas essas belas imagens que um dia sonhei em toca-las (impossivel) mas em meus pensamentos eu as toco e me sinto mais viva do que nunk!!!! em frente ao computador apenas olhando essas imagens, me sinto em paz comigo mesma!!!

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  • 2. Daniel vitor  |  agosto 5, 2009 às 6:26 am

    cara seu texto é muito bom. muito bom mesmo. tava procurando imagens sobre o espaço e vim parar aqui. continue com ele. o meu é http://soltonoespaco.blogspot.com/ abraços

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  • 3. PEDRAOTRIPÉ  |  fevereiro 4, 2010 às 12:36 pm

    Pô cara, esse que vc fumou é du bão!!!!!
    eu já fui até a lua, mas as estrelas estão a anos-luz de distância; o baguio tem que ser manga-rosa!!!!

    Responder
  • 4. Manuel do Nascimento Lopes  |  setembro 15, 2013 às 11:17 am

    Que viaje meu camarada, eu tamém tenho uma, a minha: estava indo por este universo inatingível de meu Deus(que arquitetou tudo isso), vinha eu num veleiro muto equipado, com todas as mordomias que se possa imaginar com, platão socrates e aristtoteles viamos meditando, refletindo, estudando fazendo todos dias a mais profunda análise do comportamento humano. Foi quando veio uma tempestade tão forte, neste momento eles três estavam em cima e como foi muito rápido eles cairam em um rio proximo um castelo,conseguindo salvar-se, lá os três conseguiram forma suas escolas onde até hoje se estuda seus conhecimentos. Eu continuei a viage. estou aqui depois de muitos anos viajando parei com meu veleiro no amazonas.Aqui estou começando alguns estudos, analisando,certos comportamentos do ser humano e sua complexidade, tomara que eu não entre em pani.

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Rafael Azambuja

Designer, ilustrador e publicitário.

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